20.1.07

fábrica de falácias

ele chegou meio apreensivo. sabia que não era a sua praia. no meio daqueles corpos esculturais, estilos e manias das mais variadas, ele pode ter se sentido menor. coisa que não era. muito pelo contrário. sua superioridade era aparente. as mais bonitas logo atraíram sua atenção. ou melhor, voltaram suas atenções para ele. "um teste diferente", pensaram elas.

os bonitos, todos vestidos com a marca do momento, mas querendo fazer o estilo maloqueiro. eles gostam disso. mesmo com a ostentação, em alguns momentos, como aquele, tinham a intenção de passar por humildes. isso eles não eram. não mesmo. por isso soava falso. não era legítimo. não tinham a ver com a realidade que os clientes buscavam.

mas o qual realidade buscavam? é aquela onde uma trilha sonora encaixa bem com personagem. em grande parte fazendo papel de imbecil, para que o produto [a verdadeira estrela] não seja visto em segundo plano. o produto é maior que o personagem, por mais que quem execute a função de personagem tenha talento. uma musiquinha tosca bem encaixada, e será um sucesso na mídia.

aquele teste foi mesmo diferente. porque quando notou realmente o espírito da coisa, ele se revoltou. a beleza plástica ao se redor não foi fator inibidor para a sua revolta. quando chamado pelo serviçal do diretor, o popular 'aspone', ficou injuriado com o tratamento. em menos de 15 segundos, delirou várias maneiras de eliminar aquela figura da terra.

com um soco na barriga, talvez. mas um soco sutil, sem alarde. na surdina. o mesmo soco que todos os dias pessoas dubem levam em seus estômagos e nem percebem. um soco no estômago covarde. espalhado pelos lugares mais inusitados, elaborado com a melhor trilha sonora, o melhor diretor de arte, a melhor fotografia, a melhor piada, a melhor brincadeira preconceituosa... enfim, o melhor produto [e que se dane os verdadeiros efeitos daquele produto sobre seus usuários].

um salve à publicidade e às idéias geniais dos marqueteiros.
obrigado por existirem. a humanidade realmente precisa de vocês.

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