30.8.07

outra deusa[nina]

não criei esse espaço pra falar de música. adoro música, realizo um modesto e humilde trabalho de pesquisa, mas nunca foi a minha escrever sobre música. gosto de falar sobre música. a variabilidade de arranjos, de notas, de sons que uma boa música disponibiliza é muito grande. por isso acredito que falar de música é mais gostoso que escrever. porque o papo flui mais solto e livre que a escrita. por isso.

e também por isso que têm pessoas certas para escrever. como é o caso no groove livre. capitaneado pelo serjão [carvalho], um dj de responsa, pesquisador musical de 'milianos'. que entende do riscado. toca em algumas noites especiais do sambacana groove, ali no copan. no centro de são paulo. mas não é por isso que comecei esse textinho.

comecei porque queria dividir um vídeo delicioso indicado pelo gui valiengo [eita]. moleque urbano, grafiteiro, artista e arteiro das ruas de são paulo. espalhando cores e significados aos que vivem no dia-a-dia da cidade grande. vídeo, aliás, que não descobri a data. mas é ao vivo [hahaha]. nina simone. maravilhosa.

coloquei ali no tutube[venenoso], na barra ao lado, para facilitar a visualização dos que não têm preguiça de clicar e conhecer as dimensões da internet. para os que forem até o final, boa viagem. [tô engraçado hoje]

o serjão carvalho acabou até escrevendo um pouco sobre a nina simone. ah, no vídeo, ela canta a música ain't got no... i've got life.

nina simone
por [sérgio carvalho]

Nina Simone era uma deusa, não uma diva, uma deusa do Blues, do Jazz, do Rock e da Eletrônica também [é uma das cantoras mais sampleadas]. Filha de pastores metodistas ela adotou seu nome artístico aos 20 anos para poder cantar Blues [a então música do diabo] nos cabarés americanos.


Nina foi uma artista que também sofreu muito com o preconceito racial, e se engajou a tal ponto no movimento, que cantou no enterro de Martin Luther King. Além de sofrer com o racismo, teve vários problemas em casa. Foi casada com um policial de nova york e foi agredida várias vezes por ele.


Teve um histórico pesado com as drogas e bebidas, o que nunca fez questão de esconder. Mas, quando subia no palco e cantava, era como um remédio para os ouvidos e mentes de todos. A emoção como ela cantava era algo sobrenatural, como por exemplo, quando ela dizia os versos de Ain't Got No/I Got Life: “Tenho vida, tenho minha liberdade/ Tenho a vida”.


Para chorar, mas ao mesmo tempo para se erguer e saber que uma deusa já passou pela terra.

29.8.07

vanzolini +[ciência]-[samba]

os versos de paulo vanzolini [são paulo, 25.abr.1924] estão eternizados na história do samba. "reconhece a queda/e não desanima/levanta, sacode a poeira/dá volta por cima" [volta por cima, 1962]. ou aquela. "de noite, eu rondo a cidade/a te procurar, sem encontrar" [ronda, 1945]. apesar disso, sua história maior, sua contribuição maior, foi no campo da ciência.

paulo emílio vanzolini é uma autoridade em herpetologia [parte da zoologia que trata dos répteis]. é um grande professor. phd em harvard. se orgulha de ter formado 36 doutores na universidade de são paulo [usp]. já esteve em todos os estados brasileiros coletando espécies. aumentou o acervo do museu de zoologia, de 1.200 espécies para 170 mil.

a revista espaço aberto, da usp, publicou um interessante perfil escrito por marcos jorge. a matéria é de julho de 2005, mas serve muito para quem quiser saber mais sobre a vida de paulo vanzolini. esse cara entende [muito] bem de meio ambiente. de maneira clara, objetiva e sem delongas. a música é só um passatempo.

[foto] de mark pepper do "dendrobates vanzolinii", espécie descoberta por paulo vanzolini em suas pesquisas e investigações

28.8.07

brooklyn

o bairro do brooklyn, em nova york, nos estados unidos, é, talvez, o mais famoso do país da liberdade. é também muito populoso. segundo o censo demográfico realizado em 2000, a população do bairro era de 2.465.326 contra 8.008.278 da cidade de nova york.

o fotógrafo sérvio boogie mora nos estados unidos. no brooklyn. começou tirando retratos e depois passou a fazer fotos sobre a realidade do local. teve a iniciativa de sair com os bandidos na madrugada e o trabalho ficou lindo.

27.8.07

na cara de pau

faz tempo que larguei o cartão de crédito. talão de cheques então, nem pensar. mas para os que ainda utilizam seus credit cards segue uma dica: nunca perca de vista o seu cartão de crédito quando for efetuar seus pagamentos.

clique AQUI e veja como uma linda lorinha simpática pode clonar o seu cartão de três formas das mais ridículas e corriqueiras... o vídeo tem áudio em inglês, mas vale ver porque as imagens dão todas as letras sobre a atuação dos vigaristas.

você, que usa os cartões de crédito, vai perceber que já poderia ter acontecido contigo. não é?

++++++++++[mais]++++++++++
- sítio monitor de fraudes, o "primeiro site brasileiro sobre combate à fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção. nesse link eles falam sobre a clonagem de cartões.

25.8.07

a terceirização do meio ambiente

é tempo de hipocrisia explícita. não bastasse a segregacionista campanha feita pela almap para o volkswagen, cujo slogan é "por um mundo melhor, compre um fox", os publicitários estão mesmo cada vez mais ousados. sem vergonhas. e, sobretudo, adotaram o meio ambiente como garoto-propaganda de seus [clientes] escrotos produtos.

inspirado por essa grande palhaçada, que é a plantação de árvores para 'construir um mundo melhor', como isso fosse a salvação, a ypê, de propriedade da química amparo, criou mais uma balela. as florestas ypê. a campanha é resumida com o seguinte slogan: "compre ypê, a gente planta árvores para você".

o interessante é imaginar que a sociedade hipócrita brasileira deve abraçar a idéia. afinal, estão comprando um dos produtos que mais agride o meio ambiente, mas vão aplacar o sentimento de culpa plantando árvores hipotéticas, já que não vão precisar nem mesmo sujar as mãos com a terra. a ypê faz o papel, mas é preciso comprar. senão nada feito.

é a terceirização do meio ambiente em benefício dos ricos, da classe dominante do país. afinal, com a ypê plantando árvores por eles, os vários carros na garagem, ou a casa da praia construída em área preservada por lei ambiental, a culpa desaparece fácil. como um prato bem lavado na pia da cozinha.

enquanto toda a sujeira é mandada para o ralo. com a missão cumprida, só vai faltar para os hipócritas escrever aquele livro. mas se não comprar o produto, nada feito. se for assim, a ypê não planta as suas árvores. compre um detergente e ganhe uma árvore. pra quê mesmo?

23.8.07

chão de lajota, cigarro e os quadris

ela parecia um homem. cabelo bem curtinho, no estilo militar. sentou-se no banco azul da rodoviária enquanto esperava. ansiosa. pegou o maço de cigarros, caixinha. puxou aquele cilindro de nicotina e outra substâncias tóxicas. acendeu. deu uma tragada profunda.

aquela dose lhe acalmou os nervos. estava tensa antes. agora não mais. praguejou contra o faxineiro que tentava varrer o chão liso de lajotas. frio e reluzente sob luzes laterais. a vassoura correu entre as duas mochilas da mulher de cabelos curtos.

o faxineiro não respondeu, não deu atenção, às suas expressionistas reclamações. era tarde. fim de expediente. ele pensou na sobremesa de outrora, enquanto a mulher ficou ali curtindo seu cilindro de veneno. curtiu a brisa do cigarro de novo. parecia calma àquela hora.

ela olhou em direção da plataforma e observou a paisagem de um casal absorto. por um momento a menina alta do casal lhe pareceu familiar. olhou de novo. sentiu o andar da garota. reconheceu certa intimidade com aqueles quadris.

o casal desapareceu entre seres ansiosos para o embarque. e acompanhantes tristes, e relaxados pela sensação de dever cumprido. ela então olhou para o cigarro, que quase lhe queimava os dedos. as cinzas já prontas para irem ao chão. limpo pelo faxineiro.

foi quando respirou fundo, pensando no caminhar da garota. já haviam estado juntas. já tiveram oportunidade de trocarem mais que poucas e vazias palavras. seu ônibus havia chegado, afinal. deixou para trás as cinzas, sob o chão reluzente. bem encerado.

depois daquilo, daquele observar, tinha certeza que jamais voltaria a vê-la. sentiria saudades da garota. teria de viver com aquilo para sempre. cravado no coração navegante... fechou então seus olhos e pensou em nunca mais voltar.

por[emiliano cienfuegos]

início de outro dia do ano de 2007

16.8.07

um sorriso, só

é difícil. a dor do momento coloca os meus sentimentos de revolta, sempre impressos aqui nesse espaço, no chinelo. uma vez escutei da própria alice ruiz sobre a dor que ela sentiu quando perdeu o paulo leminski. escutei daquela voz calma e macia, de quem já tinha sentido o nível máximo da dor. hoje posso imaginar um dedinho do que ela sentiu. e é bem triste.

foi rápido. pra ela, pra mim, pros meus pais. pro exército de pessoas que adoravam aquele sorriso gigantesco e a sensação de tranqüilidade e paz que ela emanava. não dava para entender, muito menos explicar. hoje consigo, de leve, pensar um pouco a respeito disso. e, notando aos poucos as conexões e acontecimentos, só posso acreditar que era isso mesmo.

ela foi intensa. viveu 22 anos a 1000. muito melhor que 1000 anos a 10 por hora, como escreveu lobão um dia. deixa saudades materiais, do seu sorriso, dos seus cabelos longos, da sua boca carnuda, do seu jeito de reclamar das coisas, de pedir pra que ninguém ficasse triste. seu jeito de amar as pessoas. detestava choro. e amava todo mundo. sem distinção. desapegada da matéria. por isso ela foi em paz.

e é assim que pretendo ficar. logo mais, porque o choque da perda é impossível de medir. quero chorar, mas também quero viver. e é isso que vou fazer daqui pra frente.

por ela.

trocou-se uma companheira física, por um anjo da guarda. um dos mais porretas e competentes que já possa ter existido. me sinto bem por isso. é muito amor, com muita firmeza. ela está d'boa. não tem lugar pior que aqui. não tem.

6.8.07

ótima empreitada[de visão]

o presidente luís inácio vacilou. mais uma vez. disse que vai "transformar o país em um canteiro de obras". por que será? a desculpa é a de tocar projetos urgentes de infra-estrutura.

ele disse ainda que o plano de crescimento acelerado, o pac, vai levar em consideração critérios técnicos e não os critérios partidários. quem acredita? tem moral para garantir isso?

o rio ribeira de iguape, único rio do estado de são paulo que preserva suas características naturais, vai cair nas mãos da companhia brasileira de alumínio (CBA). os critérios técnicos apontam a palhaçada que será isso.

tudo em nome do pac, do crescimento desordenado, capitalista, inescrupuloso... se as populações quilombolas, por exemplo, irão perder sua subsistência, acho que não interessa o governo federal.

eles querem o crescimento, números para as estatísticas, que engordam os noticiários televisivos no brasil. números, crescimentos, intenções, índices, classificações, fundos...

desde que as empreiteiras recebam o [muito] dinheiro para realizar as obras, tá tudo certo. afinal, os donos da construção civil também precisam dar de comer para suas famílias.

por[emiliano cienfuegos]

3.8.07

muros explícitos[de tensão]

não trabalhei diretamente com renato pompeu. no jornal da tarde, era idos de 1998/1999. sentei-me várias vezes próximo daquela figura. ainda era moleque para perceber a importância daquele cara para o jornalismo. às vezes quando passava por nós, falava algo da sua ponte preta e seguia para seus textos. nunca troquei uma palavra sequer com o pompa.

hoje ele escreve na caros amigos. é editor especial. tem boa coluna. entende muito de política internacional, conflitos no oriente médio, guerra fria... e o texto dele da edição número 123 [ano XI], com garcía márques na capa, trouxe uma reveladora informação. pelo menos para mim. a quantidade absurda de muros pelo mundo. explica-se.

o muro de berlim caiu já faz tempo, mas outros muros continuam a subir e a separar povos das suas origens. como renato pompeu destaca no texto, a globalização parece que só é interessante para o comércio. para a circulação dos produtos. para os capitalistas que lucram horrores com as importações e exportações.

por incrível que possa parecer o ser humano tem sido impedido de circular pelo globo. tem alguns muros por aí já bastante conhecidos, como o da fronteira norte-americana com o méxico. um muro de metal cobre 1.100 km da fronteira entre os dois países, um terço do comprimento total da fronteira.

mas existem alguns muitos outros:

- bagdá (iraque)
altura: 3,5 metros / extensão: 3.500 metros / material: concreto
efeito: isolar um bairro sunita

- palestina
altura: 5,5 metros / extensão: 700 km / material: concreto
efeito: separam aldeias palestinas de suas terras de cultivo ancestrais

- paquistão - índia
extensão: 2.900 km / material: arame farpado
efeito: bordear as divisas entre os países com a cerca

- paquistão - afeganistão
extensão: 2.400 km / material: concreto e arame farpado
efeito: cortar a rota dos talibãs

- índia - bangladesh
extensão: a maioria dos 4.000 km de fronteira
efeito: impedir o comércio ilegal na fronteira e as imigrações

clique AQUI para saber sobre outros muros [em inglês]

31.7.07

muito além de noel rosa

a rede globo colocou no ar outro dia um de seus programas oportunistas, o som brasil. desta vez, o 'artista' escolhido foi noel rosa. o próximo será o "nosso (sic) maluco beleza, raul seixas". o programa tenta injetar a música de noel rosa, quase toda arquitetada na segunda década do século passado, na cabeça dos jovens atuais-descolados de celular na mão e cartão de crédito no bolso (perto ali da carteirinha de estudante). tem o direito de tentar.

mas, acabou ficando meio ridículo. maria rita, lucas santtana, orquestra imperial (ou seria global?) e um tal de marcos sacramento. são "artistas renomados fazendo a música de noel rosa", anunciou a anfitriã patrícia pillar, mulher de ciro gomes. muito linda, mas num papelzinho bem ridículo no 'palco giratório' da grobo. renomados eu gostaria de saber onde: no alaska, na eslovênia ou na lituânia? conhecidos alguns, renomados passam longe. e muito.

nem maria rita, a mais 'rodada' ali, escapou da situação constrangedora. sem levar em conta o estilo gostosa que estava tentando imprimir, logo ela que sempre disse ser uma mulher discreta e na dela, a filha da elis regina perdeu pontos. não conseguiu em momento algum passar o mesmo carisma e pegada que costuma desempenhar em um palco neutro. deprimente. passou longe do bom gosto.

no fim, o noel rosa, o verdadeiro artista ali daquele programa, ficou perdido em meio às caras e bocas de maria rita, e da dupla global thalma de freitas e nina becker, da orquestra imperial. muita produção, figurinos maravilhosos e pessoas lindas, para pouco conteúdo, pouca história sobre noel rosa _ que era feio pra caralho, diga-se de passagem. e, sobretudo, pouca música. periga ainda o som brasil morder algum dinheiro da lei do fomento.

interessante [e triste] foi dar uma navegada pelo site (?) oficial do programa e descobrir que qualquer crítica ao formato do programa, ou a qualidade musical, não é aprovada pelos moderadores da página, que, por possuir área para comentários, indicaria que a democracia poderia ser exercida nos comentários.

mas ai já seria querer demais. esperar atitudes democráticas de uma empresa, que até hoje apóia os militares ajudando a esconder e omitir a verdadeira história do Brasil, seria simplicidade demais. só se pode falar bem. não publicaram minha crítica construtiva.

a gente se vê por aqui, afinal, é tempo de criança esperança.

23.7.07

+espero=[menos esperarei]

aquela espera é infernal. dependendo do horário é até que tranqüilo. se estiver em uma das vias movimentadas do centro também. passam vários. mas esperar o seu ônibus na madrugada em certas cidades é complicado. indefinido. impossível de saber como será. não é uma ciência exata.

foi provavelmente numa noite dessas que surgiu a frase "quanto mais espero, menos esperarei", de alexandre mendonça. provavelmente também parceiro do diretor/escritor/editor christian caselli. provavelmente carioca. muito talentoso, com certeza. idéias boas e questionadoras.

caselli colocou na web alguns vídeos. e da frase do amigo provavelmente idealizou "o paradoxo da espera do ônibus". um bem humorado curta [3min09]. sobre desenhos de gabriel renner. enquadramentos, closes...detalhes. muito bacana.
vale cada segundo.

22.7.07

bush, cadê o laden?

clique na imagem e procure o tio bin laden.

ps - aqui no venenodubem, achar o tio bin laden tá valendo uma camiseta dubem. quem postar primeiro leva. prometo que entrego antes das olimpíadas de pequim-2008

21.7.07

41 + 40 = coltrane

john coltrane viveu quarenta e um anos. morreu cedo até [câncer no fígado], mas deixou vasta obra. não sou dos maiores conhecedores desse ícone do jazz. ainda bem que tem gente que conhece, e preparou um especial sobre a carreira do saxofonista e compositor de jazz.

o periódico chileno emol não deixou passar em branco os 40 anos da morte de coltrane. coltrane morreu no dia 17 de julho de 1967. deixou uma discografia com mais de 20 discos. outros vários foram lançados após sua morte [média de três por ano]. maioria ao vivo.

o ESPECIAL conta com oito músicas. e vale também pelas bonitas imagens e informações particulares sobre cada música e disco. ele gostava da cannabis. aguçava seus sentidos. aumentava seu potencial criativo.

18.7.07

já ajudaria muito

muito se fala sobre a crise aérea no brasil. o ombudsman da folha de s. paulo, mário magalhães, fez um pertinente comentário sobre a administração do espaço aéreo brasileiro:
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Aviação civil-militar [por mário magalhães]
O controle militar da aviação civil brasileira, prática estranha a países desenvolvidos e democráticos, volta a ser posto em xeque.
Não custa lembrar: o presidente da Infraero é um brigadeiro.

[o texto do dia 18/07/07 do ombudsman da folha pode ser lido aqui]
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enquanto o comando permanecer nas mãos dos militares, vai ficar difícil de esclarecer acidentes aéreos no brasil.

se lembrarmos que os documentos e as informações sobre o regime militar nunca foram realmente divulgados, já dá para ter uma idéia da esbórnia que eles podem aprontar nos bastidores para se livrarem de culpa.

se o aeroporto de congonhas é seguro ou não, difícil dizer. mas é fácil afirmar que enquanto os malditos milicos estiverem no poder, apoiados por grandes coorporações beneficiadas pelos anos de chumbo, como a rede globo, ficará mesmo impossível.

17.7.07

registros[do xilindró]

dei de cara com um site interessante. não é nenhuma grande novidade. mas é interessante. trata-se do link arresting images do the smoking gun. o link traz imagens registradas nas fichas criminais de famosos. ainda é dividido por gêneros: esportistas, músicos, mafiosos, assassinos...

o barato é que além de registrar a imagem, o link registra também o porquê, quando, como, qual o delito. tem tudo sobre o caso. james brown, nick nolte, carmem electra, dennis rodman, jane fonda, hendrix... a do bill gates é hilária. molecasso branquelo.

a lista é imensa, daqueles que não podem mais abrir uma conta num banco aqui no brasil. vai apontar na 'capivara' dele na justiça. macaulay culkin foi pego com maconha. a foto dele também tem lá. uma puuuta cabeça. locasso ele.

16.7.07

epílogo feliz[do 171 de carteira]

você [estelionatário] está na fila do cinema. está louco para colocar em uso seu mais novo "protesto" contra o sistema. a carteirinha é impecável, saída das melhores impressoras do mercado [afinal, o papai pagou quatro anos de faculdade, mas a mamata acabou].

chega sua vez na fila, você pede com os olhos brilhantes "uma meia" para ver o harry potter IX no cinema mais perto. a bilheteira olha para a sua cara, dá um sorrisinho, pede um minuto e some da sua vista levando a obra-prima [a carteirinha] para uma sala reservada.

as outras filas começam a andar. o tempo passa. 15min de espera, e nada da mocinha simpática da bilheteria voltar. você olha para trás e vê três policiais militares conversando com um funcionário do cinema. a bilheteira volta e diz que houve um problema.

os policiais chegam perto de você, pedem seus documentos verdadeiros. pedem para acompanhá-los. você perde a sessão de cinema e vai parar de frente para o senhor delegado. você pede para dar o telefonema de direito.


papai aparece, fala com o delega em particular. sorrindo, ele chama o filhão 171, dizendo estar "tudo resolvido". no carro, sem trocar uma palavra de repreensão sobre o "pequeno incidente" criminoso, o papai te chama para comer um hamburguer. você aceita.


que bonito!

12.7.07

papo-mole[artigo 171]

foi a vez do jornal carioca 'O Globo' fazer uma matéria para provar a hipocrisia da sociedade brasileira [só para cadastrados]. sobretudo de sua elite, que se sente no direito quase obrigatório de fraudar uma carteira de estudante para pagar meia-entrada nos eventos culturais [cinema, teatro, shows e afins].

o interessante é ver a quantidade de absurdos que os estelionatários proliferam para justificarem o crime que cometem. essa é a verdade. a cada vez que se entrega uma carteirinha falsificada [originalmente ou não] em uma bilheteria é caracterizada uma ação de estelionato [artigo 171 do código penal].

as justificativas são as mais calhordas. separei algumas dessas para quem não tem cadastro e não pôde clicar na matéria.

"O preço dos ingressos hoje é tão absurdo que eu me vejo obrigado a usar a carteira de estudante. Se eu não fizer isso, meu padrão de vida não vai me permitir ir ao cinema e, muito menos a shows, que hoje custam R$ 150. Para quem tem família, não dá. Eu lembro da época em que o cinema era acessível. Hoje, é proibitivo" - E., 31 anos, advogado formado desde 1999 e que admite [o crime] usar carteira de estudante fraudulenta desde 2005.

"Acho um absurdo que cobrem tanto pela inteira. Eu já ouvi várias vezes que os produtores cobram o preço do ingresso dobrado para quem não tem carteira de estudante. Mas eu entendo. Realmente, os produtores não têm como cobrir o custo de um evento sem saberem quanto vão receber. Eu falsifico como protesto para que mude a lei da meia-entrada" - A., 25 anos, designer, que se formou há dois anos e se gaba de fazer o seu crime virar "oficial".

claro que ingressos poderiam ser mais baratos. é a reinvidicação da maioria dos estelionatários das carteiras. só que os próprios criminosos mimados, fazendo suas falsificações, estão contribuindo para que os ingressos fiquei ainda mais caro. a "forma de protesto" que o ex-estudante de designer utiliza é burra. só piora a situação.

interessante também é notar que não se vê estelionatário de carteirinhas na classe pobre, que é a primeira a sentir os efeitos dos altos preços das entradas. da mesma forma que os reacionários pregam que os usuários de drogas financiam o tráfico, os '171 das carteirinhas' estão afastando as classes mais pobres de ter acesso à cultura e informação.

o que é ideal pra que o '171 da burguesia' possa continuar na crista da sociedade, com seu scanner de alta definição, seu macintosh branquinho com a maçã reluzente, suas idéias burguesas. com toda parafernalha, ele se esquece [nem sabe, na verdade] que seu crime tem pena prevista de um a cinco anos de detenção, além de multa.

é a mesma coisa que falsificar uma carteira de motorista, uma certidão de nascimento, um atestado de óbito... é crime. mas ele pode. afinal, tem o advogado da família que vai arrumar um jeito rapidinho dele sair do xilindró. isso se um dia as pessoas irem parar na cadeia por infringir o artigo 171 do código penal.

10.7.07

ansiedade[do houaiss]

Datação
1789 cf. MS1

Acepções
■ substantivo feminino
1 grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia
Ex.: a demora no atendimento causava-lhe a.

2 Derivação: sentido figurado.
desejo veemente e impaciente
Ex.: com grande a. aguardava o seu casamento

3 Derivação: sentido figurado.
falta de tranqüilidade; receio
Ex.: com a., procurava um lugar para ocultar-se

4 Rubrica: psicopatologia.
estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso

Etimologia
lat. anxiètas,átis 'id.'; ver ang-; f.hist. 1789 ansiedade, 1844 anciedade

Sinônimos
ver sinonímia de inquietação

Antônimos
ver antonímia de fúria

vermelhinhos[no plantão]

por[emiliano cienfuegos]

alguém conhece o movimento negação da negação? pois bem, é um movimento de esquerda, que iniciou uma campanha, pelo menos, interessante nos últimos dias. os esquerdistas radicais estão por aí. ainda bem, porque é necessária a revolta e a indignação. a luta de classes é nítida. é necessário, ao menos, fazer barulho.

os movimentos sociais são importantes para a evolução do sistema. auxiliam um bocado no processo. eles esperneiam e tentam resistir ao capitalismo. a ordem do dia no MNN é o "ocupar e lutar! contra corrupção, desemprego e repressão". [ei, você! leia o manifesto, senão nem precisa continuar]

concordando ou não com os argumentos do MNN, é claro que são bastante contestadores. questionam um sistema que parece corroído, mas que não existe grandes saídas. o MNN prega a ocupação de instituições capitalistas falidas.

"a falência das escolas, universidades e fábricas é a expressão da falência do sistema capitalista, e sua ocupação coloca na prática a possibilidade de estudar e produzir de outra forma, sem burocratas nem patrão", diz uma parte do texto.

e tudo isso faz muito sentido. mas os capitalistas não têm sentido para enxergarem isso.

é viagem minha, ou tem mais gente que tem sentido que iniciativas populares podem realmente mudar alguma coisa?

é preciso reivindicar.

9.7.07

argentinos[meio ambiente]

por[emiliano cienfuegos]

argentinos e uruguaios contrários à instalação de uma papelera no rio uruguai. e eles continuam brigando. dessa vez, mais uma fronteira foi bloqueada. são três no total. por tempo indeterminado.

a fábrica vai funcionar, teoricamente, em outubro. resistência máxima. afinal, o rio uruguai nasce no brasil. e ainda é utilizado em conjunto pelos dois países latino-americanos. a papelera é finlandesa. destruir por aqui é mais gostoso.

atitude de bravos guerreiros! pela liberdade da américa latina.