estou eu sentado na privada de um barato hotel. numa cidade estranha pra mim. por incrível que pareça eu nasci aqui. meio que fora do brasil, da civilização. e eu não conheço porra nenhuma desse lugar. sempre foi um nome, composto, de uma capital brasileira. nunca um lugar onde vivem pessoas, vivem índios.
e é nesse momento, mais um, de transição na vida de um ser humano medíocre, mediano, que sou, em busca da elevação e da evolução, resolvi que era a hora de voltar a esse espaço, que já teve uns cinco visitantes diários em tempos passados. vale a pena voltar pra tentar mudar, melhorar, fazer diferente, arriscar.
e é de campo grande, que já começo mandando um pau no cu do papa! aquele velho safado alemão que vive falando bobagem.
segura que o veneno vai sorrir.
até breve.
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17.9.10
5.10.09
selva urbana. os pensamentos são confusos. a poluição é mental. tudo parece saltar aos olhos. mas ao mesmo tempo não são todos que conseguem alcançar. alcançou? o difícil é alcançar o ideal. quando a gente pensa que vai encaixar, a peça é a certa, mas a segunda mudança no cubo acaba dando uma fodidinha no outro lado. na outra cor. a busca é complicada mesmo. a paciência tem de ser máxima. mas de peça em peça tem de seguir. tentando completar o joguinho.será que alguém consegue, de verdade, decifrar o cubo mágico da vida? ou seria totalmente hipócrita a sociedade mundial?
12.12.08
obinator[sempre melhor]

feitos de OBINA para a nação rubro-negra:
- livrou o flamengo do vexame do rebaixamento em 2005;
- Conquistou SOZINHO:
* copa do brasil 2006
* taça guanabara 2007
* campeonato carioca 2007
* taça guanabara 2008
* campeonato carioca 2008
- jogou fantasiado de guerrón na final da libertadores contra o fluminense;
- treinou o vitória na semana do rebaixamento do vasco
A única coisa que RONALDO fez com a camisa do Mengão é IMPUBLICÁVEL!
fonte: obina seleção
11.9.08
do morro [discurso aos medíocres]
e do alto do morro ele gritou. como se todas as energias daquele gritar transformassem os sonhos em realidade, e as injustiças seriam adulteradas em forma de justiça."lá, bem prá lá pro lado das outras vidas. aquelas que serão mais agradáveis. que serão mais loucas, mais intensas. receberemos os medíocres de braços abertos. fiquem à vontade nesse mundo de hipocrisia e desigualdade. onde quem pode mais é aquele que tem dinheiro. fodam-se os medíocres, que se danem os homens de pouco caráter, que tiram do cidadão o direito de deixar suas vidas menos pesadas, dolorosas...
toda noite ele gritava isso. ficou rouco, é claro, muitas vezes. e o discurso era imenso.
após acabado o discurso que executava [quase] todos os dias, aproveitava para organizar as operações do dia seguinte. no seu negócio lucrativo, mas não para ele. mas sim, para os homens de colarinho branco. aqueles mesmo que entre ano e outro exploram as mazelas da sociedade em próprio benefício, e de seus pares.
seu negócio era sinistro. ele sabia disso.
trabalhar no tráfico tem suas conseqüências.
o morro era o do cantagalo. terra de bezerra da silva.
salve bezerra!
6.9.08
pagamentos[finalmente]
agora sim. manhã de sabadão e todos os pagamentos em atraso foram cumpridos. tudo bem que mais uma vez quem pagou primeiro foi a empresa mais pobre. os ricos, como a editora agosto[de deus] e o grupo município, foram os últimos a pagar. sempre naquele esquema final do expediente. "pagaremos no dia tal", mas sempre é "o dia tal mais um".agora sim. o justo.
3.9.08
atualização[grupo município] e afins
gostaria de contar aqui que mais um personagem entrou na história do quase-calote do grupo município. a secretária, que sabiamente eu não alcunhei de secretina como a outra da editora agosto[de deus], me pediu para checar com a minha instituição bancária se havia algo errado com a minha conta. e não foi que solucionou o caso?
[a secretária do grupo munícipio é a verdadeira secretária. disposta a solucionar os problemas e em nenhum momento colocou a culpa no sistema, ou na posição dos astros no dia do pagamento. nota dez para ela, que ainda me disse que se não cair na sexta-feira "a gente assalta um banco"]
a gerente do meu querido e amado banco me disse que o número do banco havia mudado, apesar de eu ter visto há exatos 30 dias no site antigo do banco [que foi comprado pelo banco daquele empresário, que morreu outro dia e tem nome de pedra]. ou seja, nenhum problema de pagamento não-feito fica isento de contar com uma cagada bancária.
agora disseram que vão fazer o pagamento... mas só na sexta-feira (dia 5). o mesmo dia que a secretina da editora agosto[de deus] prometeu que pagaria. vou esperar a coincidência se concretizar. não é lindo?
ps — tem uma revista que eu escrevo regularmente e entrego as matérias sem atraso, na maioria das vezes, que havia comentado de um certo cascalho que estava para cair. assim como as grande coorporações, também não cumpriu ainda com a promessa. dessa vez, foi a pobre "gráfica que descontou um título antecipado e deixou a conta da revista" no vermelho. e eu com isso?
'ou seja galvão', como diria um comentarista almofadinha de fórmula 1, a gráfica recebeu.
e eu? claro que não. [ainda]
[a secretária do grupo munícipio é a verdadeira secretária. disposta a solucionar os problemas e em nenhum momento colocou a culpa no sistema, ou na posição dos astros no dia do pagamento. nota dez para ela, que ainda me disse que se não cair na sexta-feira "a gente assalta um banco"]
a gerente do meu querido e amado banco me disse que o número do banco havia mudado, apesar de eu ter visto há exatos 30 dias no site antigo do banco [que foi comprado pelo banco daquele empresário, que morreu outro dia e tem nome de pedra]. ou seja, nenhum problema de pagamento não-feito fica isento de contar com uma cagada bancária.
agora disseram que vão fazer o pagamento... mas só na sexta-feira (dia 5). o mesmo dia que a secretina da editora agosto[de deus] prometeu que pagaria. vou esperar a coincidência se concretizar. não é lindo?
ps — tem uma revista que eu escrevo regularmente e entrego as matérias sem atraso, na maioria das vezes, que havia comentado de um certo cascalho que estava para cair. assim como as grande coorporações, também não cumpriu ainda com a promessa. dessa vez, foi a pobre "gráfica que descontou um título antecipado e deixou a conta da revista" no vermelho. e eu com isso?
'ou seja galvão', como diria um comentarista almofadinha de fórmula 1, a gráfica recebeu.
e eu? claro que não. [ainda]
2.9.08
êta fase[de novo calote pintando?]rs
depois da saga [que ainda não acabou] do semi-calote que por enquanto recebi da editora agosto[de deus] foi a vez de 'descobrir' que outro grande centro da imprensa brasileira, o grupo 'Município', também não cumpriu com sua, mínima, obrigação.
eu, pelo menos, cumpri a minha da melhor maneira possível durante os jogos olímpicos da hipocrisia. mas, infelizmente, alguma coisa deu errado com o meu pagamento [que não foram os dados que passei, porque acabei de checá-los na planilha da secretária — essa ainda não pode assumir a alcunha e ser comparada com a secretina da editora agosto(de deus), pois].
acho que vou colocar um computador debaixo do braço e ir embora pro manchester.
será que me deixarão passar na portaria com ele? posso receber o salário na portaria também?
vou tomar um banho de sal grosso. na miúda, com esperanças de que a zica passe logo.
eita fase do caralho!
eu, pelo menos, cumpri a minha da melhor maneira possível durante os jogos olímpicos da hipocrisia. mas, infelizmente, alguma coisa deu errado com o meu pagamento [que não foram os dados que passei, porque acabei de checá-los na planilha da secretária — essa ainda não pode assumir a alcunha e ser comparada com a secretina da editora agosto(de deus), pois].
acho que vou colocar um computador debaixo do braço e ir embora pro manchester.
será que me deixarão passar na portaria com ele? posso receber o salário na portaria também?
vou tomar um banho de sal grosso. na miúda, com esperanças de que a zica passe logo.
eita fase do caralho!
tevê a cabo[de encher o saco]
tava aproveitando a brecha que a net deu para seus assinantes pobres. aqueles que não podem pagar pelo pacote maxi-plus-mega-hiper descolado, com 80 canais gringos e 30 outros de pay-per-view de cinema. enquanto manchester prepara mais uma de suas intervenções urbanas, que tô pensando se vou registrar, coloco no canal brasil. um dos preferidos quando rola o boi da net junto com o history channel...
eis que vejo a chamada do filme baixio das bestas, que muito me deixou curioso quando assisti um bate-papo com o diretor, cláudio assis. o cara me pareceu um idealista nato. na linha do comunismo, talvez. mas o comunismo não é mais o comunismo, assim como o socialismo. mas isso pouco importa. o lance é que quando vi o matheus nachtergaele, que deve ser o protagonista do filme. foi então que me bateu uma certa preguiça.
ver o cara ali, falando com as câmeras, me tirou a vontade máxima de ver o filme. o trabalho do ator é maravilhoso. só que os atores dessa linha, oriundos do norte-nordeste do brasil, são hipervalorizados no sudeste, por exemplo. matheus nachtergaele é endeusado em são paulo. gero camilo é outro reverenciado pela elite da classe teatral paulistana. wagner moura nem se fala. e o parceiro lázaro ramos aparece de hora em hora na televisão. igual resultado da tele-sena.
não que o trabalho deles não seja bom, ótimo, qualquer que seja o adjetivo. o lance é que eles enchem o saco aparecendo a todo momento. perde-se então a admiração máxima. o nachtergaele por exemplo, não só apareceu na chamada para o filme, mas também estava sendo entrevistado em um documentário sobre a lucélia santos. e estava no filme que veio na seqüência. não me lembro o nome. uma overdose de nachtergaele. uma hora enche o saco. como várias coisas na vida. e troca de canal.
sei lá, o selton mello aparece bastante também, mas não costuma fazer novela.
será que é essa a causa maior para a minha rejeição ao pessoal do norte-nordeste, a novela? será que e é preconceito da minha parte? será que eles não são tão bons como a elite teatral paulistana costuma alardear por ai? qual o motivo de tanta pagação de pau para alguns, e pouco [talvez nenhum] reconhecimento para outros atores/artistas? a mídia abusa do improvável [na visão da mídia, por exemplo, uma pessoa humilde sair do interior de pernambuco, mostrar seu trabalho e ainda ser reconhecida]? será que o selton mello causa menos impacto [se causa] por conta da sua vivência na região sul-sudeste do brasil? será que ele é mais paulista/carioca e irrita menos?
não sei, são tantas as questões... que nem mais com 'grandes vontades' fiquei de ver o filme.
eis que vejo a chamada do filme baixio das bestas, que muito me deixou curioso quando assisti um bate-papo com o diretor, cláudio assis. o cara me pareceu um idealista nato. na linha do comunismo, talvez. mas o comunismo não é mais o comunismo, assim como o socialismo. mas isso pouco importa. o lance é que quando vi o matheus nachtergaele, que deve ser o protagonista do filme. foi então que me bateu uma certa preguiça.
ver o cara ali, falando com as câmeras, me tirou a vontade máxima de ver o filme. o trabalho do ator é maravilhoso. só que os atores dessa linha, oriundos do norte-nordeste do brasil, são hipervalorizados no sudeste, por exemplo. matheus nachtergaele é endeusado em são paulo. gero camilo é outro reverenciado pela elite da classe teatral paulistana. wagner moura nem se fala. e o parceiro lázaro ramos aparece de hora em hora na televisão. igual resultado da tele-sena.
não que o trabalho deles não seja bom, ótimo, qualquer que seja o adjetivo. o lance é que eles enchem o saco aparecendo a todo momento. perde-se então a admiração máxima. o nachtergaele por exemplo, não só apareceu na chamada para o filme, mas também estava sendo entrevistado em um documentário sobre a lucélia santos. e estava no filme que veio na seqüência. não me lembro o nome. uma overdose de nachtergaele. uma hora enche o saco. como várias coisas na vida. e troca de canal.
sei lá, o selton mello aparece bastante também, mas não costuma fazer novela.
será que é essa a causa maior para a minha rejeição ao pessoal do norte-nordeste, a novela? será que e é preconceito da minha parte? será que eles não são tão bons como a elite teatral paulistana costuma alardear por ai? qual o motivo de tanta pagação de pau para alguns, e pouco [talvez nenhum] reconhecimento para outros atores/artistas? a mídia abusa do improvável [na visão da mídia, por exemplo, uma pessoa humilde sair do interior de pernambuco, mostrar seu trabalho e ainda ser reconhecida]? será que o selton mello causa menos impacto [se causa] por conta da sua vivência na região sul-sudeste do brasil? será que ele é mais paulista/carioca e irrita menos?
não sei, são tantas as questões... que nem mais com 'grandes vontades' fiquei de ver o filme.
27.8.08
manifesto[do otário]sobre trabalho
o otário pegou um texto para uma revista mensal da editora agosto[de deus]. ele elaborou a pauta primeiro. um parceiro havia lhe colocado no fechamento daquela edição. gente fina, lutou para conseguir um trocado maior para o otário. depois de aprovada a pauta sobre os jogos olímpicos da hipocrisia para a revista, daquelas que são criadas com o intuito de vender anúncios, mas que são empurradas como a salvação em termos de grade de programação.
uma pauta enviada. e a graça alcançada pelo otário. 30% de aumento. a pauta bem feitinha deve ter chamado a atenção de quem comanda a grana. comoveu o pessoal da editora agosto[de deus]. o otário então fez tudo bonitinho. ficou contente quando aprovaram uma sub em que explicava a situação dos monges que apanhavam dos comandantes do país vermelho. comunistas. tudo foi enviado rapidinho, no prazo estipulado. o intermediário foi o amigo, que saiu de cena.
ficou então a negociação para receber o cascalho pela sua dedicação, que o otário admitiu não ter sido tão complicada manter. foi até um mel na chupeta. como o amigo havia prevenido, quando o otário falou sobre suas inseguranças e a possibilidade do trabalho ser infinito. a lei da mais valia é constante, ainda mais na editora agosto[de deus], com seus programas de trainee, iludindo e inutilizando para o bem uma geração de pessoas que poderiam ajudar mais os seus iguais.
receber o que lhe era de direito não foi tão fácil, como havia sido nas outras vezes que gastou tempo trabalhando por lá. da primeira vez que ligou para a secretina hipócrita da editora agosto[de deus] sabia que tinha ultrapassado o prazo. ela perguntou ao otário se gostaria que ela conversasse com o rh da editora agosto[de deus] para 'dar um jeitinho' na situação. o otário, como todo bom otário, disse que não. que "sabia que estava fora da regra do sistema deles".
afinal, descobrir que poderia receber o levado pelo préstimo de seu trabalho somente 53 DIAS [1 mês e 21 dias, ou sete semanas] após o término dele não seria o problema. o otário então foi até a sede da editora agosto[de deus]. assinou os papéis e confirmou que só receberia o levado no dia estipulado, ao término dos 53 DIAS. o otário acreditou e se programou em cima disso. passados os 53 DIAS nada do cascalho cair na conta. o dinheiro acabando, e nada da grana cair.
foi então que o otário resolveu ligar para a secretina, o diálogo foi o que se segue:
— alô. quem fala? sou o otário, secretina. fiz um freela para a revista da editora agosto[de deus] e, pelo que anotei no dia que assinei os papéis era para ter caído hoje, e nada.
— ah, otário. sei. me passa o seu cpf. tá. agora passa um telefone, eu te ligo. obrigada.
tu, tu, tu, tu, tu...
o dia se passou, o otário gastou o dia preocupado, sem aproveitar o tempo livre conquistado após 18 dias seguido cobrindo da redação [da outra marginal] os jogos olímpicos da hipocrisia. precisava do dinheiro para comer. não que estivesse passando fome. mas gostaria de curtir aqueles dois dias. dias de gozo e tesão pelo sol. queria registrar o céu.
no dia seguinte, logo cedo, 9h47:
— alô, secretina. sou o otário de novo. tô ligando para...
— nossa, otário. eu nem te liguei ontem, né? tava maior correria aqui.
— sei. e...
— olha, eu tava olhando aqui com o rh e o seu pagamento está previsto para daqui 15 DIAS. a minha diretora só aprovou a conta depois do prazo e...
— e eu vou receber o meu levado só depois de 69 DIAS que eu entreguei tudo? pôxa, se eu soubesse que meu pagamento não iria cair nesse dia, não teria ido ai na sede da editora agosto[de deus] no meio daquela chuvarada toda que caiu em são paulo.
— é mas...
— quando eu estava fora do prazo, eu mesmo assumi que tudo bem, que não poderia ter ido mesmo assinar os papéis por conta de uma gripe, e que não havia problema algum receber 53 DIAS depois. mas me programei pra isso. e agora você me diz que sua diretora não assinou...
— mas é coisa do sistema aqui. não vai dar pra mudar. mas eu vou mandar um emeio pro rh agora, perguntando sobre o que pode ser feito e te dou um retorno.
— tudo bem. mas por favor, teria como REALMENTE me retornar, porque eu preciso me organizar, descobrir de onde eu posso tirar dinheiro? sou otário, mas não sou burro.
— pode deixar que eu retorno. tchau
— tchau.
passadas 2 HORAS:
— alô, otário?
— é ele.
— é a secretina, tudo bem? acabei de receber um emeio agora do rh e eles anteciparam o pagamento para o dia 5.
— tudo bem.
— então tudo bem.
tu, tu, tu, tu, tu...
uma pauta enviada. e a graça alcançada pelo otário. 30% de aumento. a pauta bem feitinha deve ter chamado a atenção de quem comanda a grana. comoveu o pessoal da editora agosto[de deus]. o otário então fez tudo bonitinho. ficou contente quando aprovaram uma sub em que explicava a situação dos monges que apanhavam dos comandantes do país vermelho. comunistas. tudo foi enviado rapidinho, no prazo estipulado. o intermediário foi o amigo, que saiu de cena.
ficou então a negociação para receber o cascalho pela sua dedicação, que o otário admitiu não ter sido tão complicada manter. foi até um mel na chupeta. como o amigo havia prevenido, quando o otário falou sobre suas inseguranças e a possibilidade do trabalho ser infinito. a lei da mais valia é constante, ainda mais na editora agosto[de deus], com seus programas de trainee, iludindo e inutilizando para o bem uma geração de pessoas que poderiam ajudar mais os seus iguais.
receber o que lhe era de direito não foi tão fácil, como havia sido nas outras vezes que gastou tempo trabalhando por lá. da primeira vez que ligou para a secretina hipócrita da editora agosto[de deus] sabia que tinha ultrapassado o prazo. ela perguntou ao otário se gostaria que ela conversasse com o rh da editora agosto[de deus] para 'dar um jeitinho' na situação. o otário, como todo bom otário, disse que não. que "sabia que estava fora da regra do sistema deles".
afinal, descobrir que poderia receber o levado pelo préstimo de seu trabalho somente 53 DIAS [1 mês e 21 dias, ou sete semanas] após o término dele não seria o problema. o otário então foi até a sede da editora agosto[de deus]. assinou os papéis e confirmou que só receberia o levado no dia estipulado, ao término dos 53 DIAS. o otário acreditou e se programou em cima disso. passados os 53 DIAS nada do cascalho cair na conta. o dinheiro acabando, e nada da grana cair.
foi então que o otário resolveu ligar para a secretina, o diálogo foi o que se segue:
— alô. quem fala? sou o otário, secretina. fiz um freela para a revista da editora agosto[de deus] e, pelo que anotei no dia que assinei os papéis era para ter caído hoje, e nada.
— ah, otário. sei. me passa o seu cpf. tá. agora passa um telefone, eu te ligo. obrigada.
tu, tu, tu, tu, tu...
o dia se passou, o otário gastou o dia preocupado, sem aproveitar o tempo livre conquistado após 18 dias seguido cobrindo da redação [da outra marginal] os jogos olímpicos da hipocrisia. precisava do dinheiro para comer. não que estivesse passando fome. mas gostaria de curtir aqueles dois dias. dias de gozo e tesão pelo sol. queria registrar o céu.
no dia seguinte, logo cedo, 9h47:
— alô, secretina. sou o otário de novo. tô ligando para...
— nossa, otário. eu nem te liguei ontem, né? tava maior correria aqui.
— sei. e...
— olha, eu tava olhando aqui com o rh e o seu pagamento está previsto para daqui 15 DIAS. a minha diretora só aprovou a conta depois do prazo e...
— e eu vou receber o meu levado só depois de 69 DIAS que eu entreguei tudo? pôxa, se eu soubesse que meu pagamento não iria cair nesse dia, não teria ido ai na sede da editora agosto[de deus] no meio daquela chuvarada toda que caiu em são paulo.
— é mas...
— quando eu estava fora do prazo, eu mesmo assumi que tudo bem, que não poderia ter ido mesmo assinar os papéis por conta de uma gripe, e que não havia problema algum receber 53 DIAS depois. mas me programei pra isso. e agora você me diz que sua diretora não assinou...
— mas é coisa do sistema aqui. não vai dar pra mudar. mas eu vou mandar um emeio pro rh agora, perguntando sobre o que pode ser feito e te dou um retorno.
— tudo bem. mas por favor, teria como REALMENTE me retornar, porque eu preciso me organizar, descobrir de onde eu posso tirar dinheiro? sou otário, mas não sou burro.
— pode deixar que eu retorno. tchau
— tchau.
passadas 2 HORAS:
— alô, otário?
— é ele.
— é a secretina, tudo bem? acabei de receber um emeio agora do rh e eles anteciparam o pagamento para o dia 5.
— tudo bem.
— então tudo bem.
tu, tu, tu, tu, tu...
22.7.08
midiáticas[do G1, da grobo]
22/07/2008 - 15h06 - Atualizado em 22/07/2008 - 16h01 Explosão provoca susto na Avenida Paulista
último parágrafo: De acordo uma funcionária da Academia Bio Ritmo, a explosão chegou a deixar as pessoas que estavam na academia preocupadas. “Foi como uma explosão mesmo”, disse a mulher, que estava em um setor administrativo da empresa no 17º andar.------
poderia ter sido como um sussurro, ou um estalinho de salão?
com uma dessas só mesmo pra ficar no anonimato. mas não a funcionaria, e sim a besta do repórter que escreveu isso e não teve coragem nem de assinar o texto.
se esconder atrás do anonimato é tranqüilo. bem o estilo dos barões da imprensa. que manipulam e nos enchem de inutilidades a cada noticiário, sobretudo na tevê.
educar e contribuir para que as coisas fiquem menos fodidas para o povo eles não pensam. as concessões públicas de televisão ajudam e colaboram para a ignorância de um país que poderia ser muito mais que isso. mas não é.
sei que é clichê isso tudo que escrevi, mas que se foda. clichê é não discutir e tentar revolucionar pensamentos. de clichê em clichê... nada muda nessa porra.
26.6.08
profundamente
ontem acordou com saudade. não sabia exatamente dizer de onde vinha essa saudade. confessou-nos. mas ela apertou o peito o dia inteiro. tentou então se entregar aos trabalhos, até conseguiu finalizá-los. mas o aperto não passou. aumentou conforme palavras foram saindo da sua boca. com nexo, mas talvez desconexo do contexto atual. o contexto da saudade.
à noite. quando já se achava intocável. um velho ator o fez lembrar da saudade. já tinha detectado o vazio durante o banho. um vazio que vem acompanhando seu caminho desde que ela partiu. de supetão. paulo autran não aliviou a paulada. ainda jovem, recitou um poema de manuel bandeira, mas parecia que as palavras foram apenas aos seus ouvidos. mais ninguém escutou...
(...)
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.*
ainda antes do poema terminar, o coração já pulsava mais forte. tentava bombear o que naquele momento parecia ter sumido. o aperto no coração virou estrangulamento da alma.
foi difícil não chorar... pouco
------
[*]trecho do poema 'profundamente', do poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro manuel bandeira. poema publicado em 1930 no livro intitulado Libertinagem.
à noite. quando já se achava intocável. um velho ator o fez lembrar da saudade. já tinha detectado o vazio durante o banho. um vazio que vem acompanhando seu caminho desde que ela partiu. de supetão. paulo autran não aliviou a paulada. ainda jovem, recitou um poema de manuel bandeira, mas parecia que as palavras foram apenas aos seus ouvidos. mais ninguém escutou...
(...)
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.*
ainda antes do poema terminar, o coração já pulsava mais forte. tentava bombear o que naquele momento parecia ter sumido. o aperto no coração virou estrangulamento da alma.
foi difícil não chorar... pouco
------
[*]trecho do poema 'profundamente', do poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro manuel bandeira. poema publicado em 1930 no livro intitulado Libertinagem.
14.10.07
sobre o transporte[em sampa, meu]
1° ato - sexta-feira, 12/10
av. duque de caxias x r. barão de campinas
centro de são paulo, por volta das 21h13
- atravesso a barão de campinas no sentido av. são joão. na faixa de pedestres. farol fechado na duque de caxias. quando estou no meio da travessia, na faixa, um fiat prêmio branco com um ser careca cabeludo [saca?] grisalho. ele vira na minha frente, me esquivo e falo na janela: "tá maluco? faixa de pedestre".
ele pára o carro. eu continuou andando e olho para trás. ele me encara e, claro, começa a me xingar. eu não xingo. disse que só tava pedindo respeito, enquanto minha mãe era insultada. ele babava na barba grisalha. os caras do bar da esquina saíram para checar. era dia das crianças, mas que se foda. pensei que o cara iria descer do carro e me bater. eu tentaria dar umas porradas nele. hahaha. depois correria. rolou um medinho, depois que ele partiu rolou uma revolta. puta q'eu pariu.
qual o problema, qual o atraso de se esperar um pedestre atravessar a rua? cinco, seis, sete segundos? quantos? foi isso que sai pensando pelas ruas. pouco antes de chegar na av. são joão, analisei os sentidos das ruas para saber se ele poderia dar a volta e me pegar por trás. mas não tinha jeito. não havia maneira d'ele me alcançar.
eu tinha saído para comer, e perdi até o tesão. fiquei pensando como o ser humano pode ser egoísta, sobretudo quando se está dentro de um carro. é o cara que atravessa na frente dele em um cruzamento, é o sinal de trânsito que fecha, é um pedestre que reclama seu direito no trânsito. tudo é motivo para esbravejar toda sua frustração de estar encaixotado em um veículo-casa-armário-lixeira fazendo um percurso longo. mas que de bicicleta levaria 17min, com o poderoso e libertário carro levaria 60min, em média.
eu tenho pena.
av. duque de caxias x r. barão de campinas
centro de são paulo, por volta das 21h13
- atravesso a barão de campinas no sentido av. são joão. na faixa de pedestres. farol fechado na duque de caxias. quando estou no meio da travessia, na faixa, um fiat prêmio branco com um ser careca cabeludo [saca?] grisalho. ele vira na minha frente, me esquivo e falo na janela: "tá maluco? faixa de pedestre".
ele pára o carro. eu continuou andando e olho para trás. ele me encara e, claro, começa a me xingar. eu não xingo. disse que só tava pedindo respeito, enquanto minha mãe era insultada. ele babava na barba grisalha. os caras do bar da esquina saíram para checar. era dia das crianças, mas que se foda. pensei que o cara iria descer do carro e me bater. eu tentaria dar umas porradas nele. hahaha. depois correria. rolou um medinho, depois que ele partiu rolou uma revolta. puta q'eu pariu.
qual o problema, qual o atraso de se esperar um pedestre atravessar a rua? cinco, seis, sete segundos? quantos? foi isso que sai pensando pelas ruas. pouco antes de chegar na av. são joão, analisei os sentidos das ruas para saber se ele poderia dar a volta e me pegar por trás. mas não tinha jeito. não havia maneira d'ele me alcançar.
eu tinha saído para comer, e perdi até o tesão. fiquei pensando como o ser humano pode ser egoísta, sobretudo quando se está dentro de um carro. é o cara que atravessa na frente dele em um cruzamento, é o sinal de trânsito que fecha, é um pedestre que reclama seu direito no trânsito. tudo é motivo para esbravejar toda sua frustração de estar encaixotado em um veículo-casa-armário-lixeira fazendo um percurso longo. mas que de bicicleta levaria 17min, com o poderoso e libertário carro levaria 60min, em média.
eu tenho pena.
23.8.07
chão de lajota, cigarro e os quadris
ela parecia um homem. cabelo bem curtinho, no estilo militar. sentou-se no banco azul da rodoviária enquanto esperava. ansiosa. pegou o maço de cigarros, caixinha. puxou aquele cilindro de nicotina e outra substâncias tóxicas. acendeu. deu uma tragada profunda.
aquela dose lhe acalmou os nervos. estava tensa antes. agora não mais. praguejou contra o faxineiro que tentava varrer o chão liso de lajotas. frio e reluzente sob luzes laterais. a vassoura correu entre as duas mochilas da mulher de cabelos curtos.
o faxineiro não respondeu, não deu atenção, às suas expressionistas reclamações. era tarde. fim de expediente. ele pensou na sobremesa de outrora, enquanto a mulher ficou ali curtindo seu cilindro de veneno. curtiu a brisa do cigarro de novo. parecia calma àquela hora.
ela olhou em direção da plataforma e observou a paisagem de um casal absorto. por um momento a menina alta do casal lhe pareceu familiar. olhou de novo. sentiu o andar da garota. reconheceu certa intimidade com aqueles quadris.
o casal desapareceu entre seres ansiosos para o embarque. e acompanhantes tristes, e relaxados pela sensação de dever cumprido. ela então olhou para o cigarro, que quase lhe queimava os dedos. as cinzas já prontas para irem ao chão. limpo pelo faxineiro.
foi quando respirou fundo, pensando no caminhar da garota. já haviam estado juntas. já tiveram oportunidade de trocarem mais que poucas e vazias palavras. seu ônibus havia chegado, afinal. deixou para trás as cinzas, sob o chão reluzente. bem encerado.
depois daquilo, daquele observar, tinha certeza que jamais voltaria a vê-la. sentiria saudades da garota. teria de viver com aquilo para sempre. cravado no coração navegante... fechou então seus olhos e pensou em nunca mais voltar.
por[emiliano cienfuegos]
início de outro dia do ano de 2007
aquela dose lhe acalmou os nervos. estava tensa antes. agora não mais. praguejou contra o faxineiro que tentava varrer o chão liso de lajotas. frio e reluzente sob luzes laterais. a vassoura correu entre as duas mochilas da mulher de cabelos curtos.
o faxineiro não respondeu, não deu atenção, às suas expressionistas reclamações. era tarde. fim de expediente. ele pensou na sobremesa de outrora, enquanto a mulher ficou ali curtindo seu cilindro de veneno. curtiu a brisa do cigarro de novo. parecia calma àquela hora.
ela olhou em direção da plataforma e observou a paisagem de um casal absorto. por um momento a menina alta do casal lhe pareceu familiar. olhou de novo. sentiu o andar da garota. reconheceu certa intimidade com aqueles quadris.
o casal desapareceu entre seres ansiosos para o embarque. e acompanhantes tristes, e relaxados pela sensação de dever cumprido. ela então olhou para o cigarro, que quase lhe queimava os dedos. as cinzas já prontas para irem ao chão. limpo pelo faxineiro.
foi quando respirou fundo, pensando no caminhar da garota. já haviam estado juntas. já tiveram oportunidade de trocarem mais que poucas e vazias palavras. seu ônibus havia chegado, afinal. deixou para trás as cinzas, sob o chão reluzente. bem encerado.
depois daquilo, daquele observar, tinha certeza que jamais voltaria a vê-la. sentiria saudades da garota. teria de viver com aquilo para sempre. cravado no coração navegante... fechou então seus olhos e pensou em nunca mais voltar.
por[emiliano cienfuegos]
início de outro dia do ano de 2007
16.7.07
epílogo feliz[do 171 de carteira]
você [estelionatário] está na fila do cinema. está louco para colocar em uso seu mais novo "protesto" contra o sistema. a carteirinha é impecável, saída das melhores impressoras do mercado [afinal, o papai pagou quatro anos de faculdade, mas a mamata acabou].
chega sua vez na fila, você pede com os olhos brilhantes "uma meia" para ver o harry potter IX no cinema mais perto. a bilheteira olha para a sua cara, dá um sorrisinho, pede um minuto e some da sua vista levando a obra-prima [a carteirinha] para uma sala reservada.
as outras filas começam a andar. o tempo passa. 15min de espera, e nada da mocinha simpática da bilheteria voltar. você olha para trás e vê três policiais militares conversando com um funcionário do cinema. a bilheteira volta e diz que houve um problema.
os policiais chegam perto de você, pedem seus documentos verdadeiros. pedem para acompanhá-los. você perde a sessão de cinema e vai parar de frente para o senhor delegado. você pede para dar o telefonema de direito.
papai aparece, fala com o delega em particular. sorrindo, ele chama o filhão 171, dizendo estar "tudo resolvido". no carro, sem trocar uma palavra de repreensão sobre o "pequeno incidente" criminoso, o papai te chama para comer um hamburguer. você aceita.
que bonito!
chega sua vez na fila, você pede com os olhos brilhantes "uma meia" para ver o harry potter IX no cinema mais perto. a bilheteira olha para a sua cara, dá um sorrisinho, pede um minuto e some da sua vista levando a obra-prima [a carteirinha] para uma sala reservada.
as outras filas começam a andar. o tempo passa. 15min de espera, e nada da mocinha simpática da bilheteria voltar. você olha para trás e vê três policiais militares conversando com um funcionário do cinema. a bilheteira volta e diz que houve um problema.
os policiais chegam perto de você, pedem seus documentos verdadeiros. pedem para acompanhá-los. você perde a sessão de cinema e vai parar de frente para o senhor delegado. você pede para dar o telefonema de direito.
papai aparece, fala com o delega em particular. sorrindo, ele chama o filhão 171, dizendo estar "tudo resolvido". no carro, sem trocar uma palavra de repreensão sobre o "pequeno incidente" criminoso, o papai te chama para comer um hamburguer. você aceita.
que bonito!
29.6.07
banda larga cordel
o ministro gilberto gil parece mesmo ter finalizado a música. a 'banda larga cordel', postada no youtube e reproduzida no texto anterior, está pronta.
gil preferiu mudar um pouco. talvez porque tenha acabado de lançar um disco só de voz e violão. por sinal, uma obra muito boa.
a nova 'roupagem' não tem a mesma pegada. ficou um pouco clichê. mas mesmo assim é melhor que praticamente tudo o que foi lançado esse ano. sobretudo em termos de ficção-científica.
a música está disponível no blog do jornalista jorge bastos moreno [mas só pra quem tem cadastro no site do jornal 'O Globo']. isso mesmo, ele é o gordinho que no vídeo levanta-se após a música para "ir ao toalete".
imaginem então o que pode pintar no próximo disco do Lenine.
gil preferiu mudar um pouco. talvez porque tenha acabado de lançar um disco só de voz e violão. por sinal, uma obra muito boa.
a nova 'roupagem' não tem a mesma pegada. ficou um pouco clichê. mas mesmo assim é melhor que praticamente tudo o que foi lançado esse ano. sobretudo em termos de ficção-científica.
a música está disponível no blog do jornalista jorge bastos moreno [mas só pra quem tem cadastro no site do jornal 'O Globo']. isso mesmo, ele é o gordinho que no vídeo levanta-se após a música para "ir ao toalete".
imaginem então o que pode pintar no próximo disco do Lenine.
26.6.07
[vídeo]prometeus[o futuro da mídia]
os veículos de mídia vêm passando por fases e fases. como se surgissem no sistema novas dimensões de informação. camadas. cada uma sendo acessada por seu próprio código, instrumento. conheça o futuro da mídia [the future of media]. hipnotizante.
2.4.07
[curta]tarantino's mind
selton mello e seu 'sagatiba' jorge fizeram um curta bem legal. se chama 'tarantino's mind', e foi lançado em 2006. já ganhou prêmios, claro. a produção foi muito boa. vale a pena conferir. senton mello está bem no papel de um obcecado pelo diretor quentin tarantino. o ator desenvolve uma teoria associando os vários roteiros escritos por tarantino.
e está fácil de ver. no google video, digite tarantino's mind. ou clique aqui: [2006] tarantino's mind, com selton mello e seu jorge [15min]
20.1.07
fábrica de falácias
ele chegou meio apreensivo. sabia que não era a sua praia. no meio daqueles corpos esculturais, estilos e manias das mais variadas, ele pode ter se sentido menor. coisa que não era. muito pelo contrário. sua superioridade era aparente. as mais bonitas logo atraíram sua atenção. ou melhor, voltaram suas atenções para ele. "um teste diferente", pensaram elas.os bonitos, todos vestidos com a marca do momento, mas querendo fazer o estilo maloqueiro. eles gostam disso. mesmo com a ostentação, em alguns momentos, como aquele, tinham a intenção de passar por humildes. isso eles não eram. não mesmo. por isso soava falso. não era legítimo. não tinham a ver com a realidade que os clientes buscavam.
mas o qual realidade buscavam? é aquela onde uma trilha sonora encaixa bem com personagem. em grande parte fazendo papel de imbecil, para que o produto [a verdadeira estrela] não seja visto em segundo plano. o produto é maior que o personagem, por mais que quem execute a função de personagem tenha talento. uma musiquinha tosca bem encaixada, e será um sucesso na mídia.
aquele teste foi mesmo diferente. porque quando notou realmente o espírito da coisa, ele se revoltou. a beleza plástica ao se redor não foi fator inibidor para a sua revolta. quando chamado pelo serviçal do diretor, o popular 'aspone', ficou injuriado com o tratamento. em menos de 15 segundos, delirou várias maneiras de eliminar aquela figura da terra.
com um soco na barriga, talvez. mas um soco sutil, sem alarde. na surdina. o mesmo soco que todos os dias pessoas dubem levam em seus estômagos e nem percebem. um soco no estômago covarde. espalhado pelos lugares mais inusitados, elaborado com a melhor trilha sonora, o melhor diretor de arte, a melhor fotografia, a melhor piada, a melhor brincadeira preconceituosa... enfim, o melhor produto [e que se dane os verdadeiros efeitos daquele produto sobre seus usuários].
um salve à publicidade e às idéias geniais dos marqueteiros. obrigado por existirem. a humanidade realmente precisa de vocês.
10.12.06
na rabeira da cidade
estava longe de casa. a bola amarela rolava na sua frente. chutava aquele passatempo, como quem tocava a vida em frente. bem na frente. na mão direita, por baixo da camiseta pólo amarela, surrada, provavelmente doada por alma caridosa, leandro segurava um saquinho. aspirava de vez em quando. olhando para os lados.tinha 12 anos e queria chegar na praça da sé, mas logo mudou o destino para a praça da árvore. não sabia ao certo o que queria. estava confuso. provavelmente entorpecido pelas sensações causadas pela mais acalentadora das drogas entre os meninos de rua. mas disse que não morava na rua. mas não sabia também o que iria fazer na praça da árvore.
escondeu o saquinho dentro da camiseta. em seu ventre. entrou no ônibus que levava ao centro, e também à praça da árvore. a velhinha, ingênua, acostumada com um bairro nobre, ainda o alertou sobre sua bola, esquecida na calçada. deu de ombros. a bola amarela foi apenas sua acompanhante durante a madrugada. chutando, chutando... entre aspiradas.
passou por baixo da catraca sem pedir ao cobrador, que num lampejo nem pensou no dinheiro do patrão. era domingão. o moleque precisava dar uma volta. mesmo que sem destino. dentro do ônibus, pediu discretamente um trocado a uma senhora que subiu três pontos na frente. ela disse que não tinha. estava indo para a ingreja. mas e o dizimo?
a igreja precisa muito mais do dizimo que aquele menino. afinal, o próximo bazar para angariar fundos para a paróquia estava próximo. muito mais importante que aplacar a fome daquele garoto, que perdeu a 'carona' no busão de volta para casa. apenas o irmão, alex, "conseguiu pegar rabeira". leandro acabou caindo.
já estava no centro. rápido assim. bem mais rápido que imaginava. disse que iria para a sé "arrumar um dinheiro". idéia louca. domingão não é dia de pedir dinheiro na sé. menos movimento, talvez. um saco de cola custava 5 reais. mentiu. concordou que era dinheiro demais e diminuiu para R$ 1,00. "uma bolona assim, ó", fez com a mão.
estava sonado. cheirou dois sacos na noite anterior. ainda confuso. contou que gostava da cola pela sensação. era "quase um viciado", porque quando estava em casa sentia falta, às vezes. eram prazerosas as tais visões. falou também que quando cheirava, olhava para as pessoas e elas derretiam. "se olho para aquele cara, aos poucos, ele vai mudando".
em casa, o cara aparece de novo na sua cabeça, ele contou bem baixinho. de repente, aparecia. como uma visão, aparecia na mente. em realce. se encantou com a movimentação da feira, na rua paralela por onde passava o busão. mudou de caminho, apertou a parada. desceu com a meta de comer alguma coisa e pedir dinheiro entre a elite, freqüente ali.
na feira, andam entre os humildes. fazem caridade e lavam suas almas. tiram um pouco do peso das costas, afinal, estão ajudando um pobre moleque de rua. faz bem pro ego, é como se ganhassem o dia. quando chegam em casa, com a mesa farta e filhos ao redor, já nem se lembram mais do menino carente. que segue seu caminho clandestino. na fé, negô.
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