cada dia que passa as pessoas estão mais arredias nas grandes cidades. aqui em são paulo não dá mais nem pra trocar idéia no supermercado, na seção das frutas, legumes e verduras. muitos estão fechados dentro de suas rotinas do medo. medo de conversar com as pessoas é doença da modernidade. duvido que no início do século passado, por exemplo, um cidadão teria tantas travas para conversar com um estranho. amenidades que sejam.outro ponto curioso é que essas mesmas pessoas não gostam também de ajuda. dentro de suas vidinha-ignorante-limitada, não aceitam qualquer tipo de auxílio. agora pouco tava com o losso descendo a rua apinages e tinha um rapaz sem camisa, fortinho, com o cabelo estilo cristiano ronaldo, brinquinho... uma coisa linda, só que pedalando em uma marcha que me deu pena. muito leve para aquela subida.
a cada giro da sua perna, também no estilo do craque do manchester united, a pena aumentava. quando passamos por ele, resolvi da janela dar a dica. "mano, coloca uma marcha mais pesada pra subir essa ladeira"... e o cristiano ronaldo paulistano não quis seguir meus conselhos. esticou o dedo do meio para mim, como um pivete da quarta série do e.e.p.g profº hélio faria.
aquilo foi uma porrada na minha boa vontade. no meu altruísmo. na minha vontade de lutar por um mundo melhor. doeu a pancada no fígado, mas não derrubou. a gente é forte pra continuar alastrando coisas boas pelos vários cantos, e não vai ser um moleque de prédio mal educado que irá me derrubar.
voltei-me então para frente, olhos fixos no asfalto onde o lossomóvel desfilava, ali na heitor penteado já. não sabia o que falar. só consegui dizer: "gente é foda".
naquele momento, ao invés de raiva
senti a verdadeira mágoa de caboclo













